Uma pesquisa global realizada pelo Philips Index 2010, iniciativa do Phillips Center para Saúde e Bem-Estar reuniu informações recolhidas em 23 paÃses, e visa entender melhor o que seus consumidores pensam sobre saúde e bem estar. Entre os paÃses em que o estudo vem sendo realizado estão EUA, Reino Unido, China, França, Espanha, Holanda, Bélgica e Brasil, único paÃs latino-americano da lista, até o momento. Segundo um artigo publicado no site do Instituto Ethos, o professor Ricardo Abramovay identifica um movimento que o próprio chamou de “governança não estatal dirigida pelo mercadoâ€, por meio do qual as demandas da sociedade começam a integrar o planejamento estratégico das empresas. Esse movimento está criando um conjunto de normas e valores aos quais as empresas aderem crescentemente, de maneira voluntária, contribuindo para que a própria sociedade se conscientize mais a respeito das polÃticas que deve cobrar dos órgãos públicos e dos governos. Entre os temas abordados estão qualidade de vida, saúde fÃsica e mental, trabalho, salário, vida social e peso. O levantamento no Brasil foi realizado entre 11 e 19 de fevereiro de 2010, por meio de um questionário via internet que foi respondido por 875 pessoas, homens e mulheres das cinco regiões do paÃs, com idades entre 16 e 65 anos e divididos pelas classes A/B, C e D/E.
A pesquisa no mundo
Segundo dados passados por Fabiano Lima, diretor de Assuntos Corporativos da Philips do Brasil. De maneira geral, comparando Brasil, EUA, China, Espanha, França, Holanda e Bélgica, os americanos são os que se sentem melhor em relação a sua saúde e bem-estar. Dentre eles, 74% disseram ter um sentimento bom em relação a esses fatores. Os brasileiros vêm logo a seguir, com 71%, tendo na sequência espanhóis e belgas (70%), franceses (68%) e holandeses (67%). No outro extremo, apenas 34% dos chineses disseram ter uma sensação boa sobre sua saúde e bem estar. Essas porcentagens, no entanto, entram em contradição com as respostas dadas a respeito de qualidade do sono, estresse e sobrepeso. Os americanos são os que se consideram mais estressados (79%), seguidos pelos chineses (69%) e belgas (61%). Os brasileiros estão entre os povos que se consideram menos estressados (36%), ficando atrás apenas dos espanhóis (35%). 

Os franceses lideram o grupo dos que acham que dormem mal (45%), seguidos pelos belgas (40%), americanos (37%), brasileiros (36%). holandeses (33%), chineses (30%) e espanhóis (20%). Embora os brasileiros sejam os mais satisfeitos com sua saúde fÃsica – 86% classificam sua saúde como boa, contra 80% dos americanos, 79% dos chineses e 70% dos britânicos –, são também os que menos se sentem responsáveis pela própria saúde e os que menos fazem exames gerais preventivos com médicos. Os brasileiros (57% dos entrevistados) só procuram médico por causa de alguma condição pontual, uma ou duas vezes por ano. É possÃvel que ajam assim por entender que a oferta de serviços públicos básicos e de infraestrutura seja mais importante para as condições gerais de saúde do que a visita periódica ao médico. Entre os serviços citados como mais necessários para sua comunidade estão coleta de lixo (95%), segurança (93%), qualidade das rodovias (92%) e acesso a serviços de saúde (89%), bem como hospitais e escolas locais (89%). Para o presidente do Instituto Ethos, Oded Grajew, presente no lançamento da pesquisa, um dos dados que mais impressionam se refere à busca por assistência à saúde: “As pessoas das classes D/E estão quase que abrindo mão dos serviços de saúde pública, seguramente por dificuldade de acesso a elesâ€. Oded faz referência a uma pesquisa de percepção feita pelo Movimento Nossa São Paulo. De acordo com ela, o tempo médio para o paulistano ser atendido em consulta nos postos médicos públicos é de 65 dias. Entre a consulta e exames, a espera média é de mais 77 dias. Se o caso exigir procedimentos mais complexos, serão necessários outros 162 dias. Este estudo patrocinado pelo Philips Center é, até o momento, único no paÃs e na América Latina. O próximo (ou próxima) presidente da República terá importantes indicadores para orientar as polÃticas de saúde e de infraestrutura. E os dados não vêm de nenhum órgão oficial, mas de um centro de pesquisa empresarial, que quer aperfeiçoar seus produtos para melhorar a vida das pessoas, unindo o interesse comercial aos interesses da população. Isto é o cerne da responsabilidade social empresarial e o caminho para o desenvolvimento sustentável.
Por Cristina Spera e Benjamin S. Gonçalves (Instituto Ethos)
Fonte: Instituto Ethos
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