Pesquisa lançada pelo Instituto Ethos e Akatu chama atenção para o desafio de promover atitudes e comportamentos conscientes junto à nova classe média
Quem são os consumidores conscientes e o que esperam das empresas e governos? Como promover a responsabilidade compartilhada entre esses três atores? Qual a percepção do brasileiro quanto à sustentabilidade? Cada vez mais determinantes para os rumos dos negócios e do País, essas são algumas questões sobre as quais a pesquisa “O consumidor brasileiro e a sustentabilidade” lança luz.
Encomendado pelo Instituto Ethos e Akatu, esse levantamento, conduzido pela empresa de pesquisas GfK, mostra que a fatia de consumidores conscientes permanece em 5% da população. Entretanto, houve crescimento (de 25% para 37%) do segmento mais distante do consumo consciente, o grupo chamado de “Indiferente”.
De forma geral, o crescimento do segmento de consumidores “indiferentes” é creditado ao movimento de ascensão social e de incorporação no mundo do consumo de uma parte significativa da população brasileira. A combinação de aumento populacional e de renda transformou a classe C no segmento com o maior poder de consumo no País.
Nos últimos anos viu-se crescer a parcela da população pertencente à classe C, que atingiu 50,5% da população em 2009. Isso significa que um contingente de cerca de 29 milhões de pessoas passaram a fazer parte desse grupo, entre 2003 e 2009. Essa chamada “nova classe média brasileira” tem um perfil mais jovem, de maioria afrodescendente e com mais famílias chefiadas por mulheres.
A mobilidade social torna o desafio de traduzir a sustentabilidade para o dia-a-dia dos brasileiros ainda mais expressivo (56% nunca ouviram falar do conceito). Além das políticas públicas e soluções tecnológicas e organizacionais capazes de minimizar os impactos da previsível explosão de consumo, o estudo reforça a importância de trabalhar no redirecionamento das aspirações da sociedade como um todo.
“É necessário um esforço urgente e sem precedentes para dissociar “aumento contínuo do consumo de “maior felicidade e realização. Essa equação, que moveu (e move) o crescimento da sociedade de consumo, é incompatível com o duplo objetivo de “inclusão social com sustentabilidade”, ressalta o estudo.
Quem está disposto a punir e recompensar empresas
Há um interesse relativamente baixo sobre responsabilidade social empresarial, quando colocada em termos simplesmente conceituais. Como decorrência desse fato, também se constata um percentual baixo de consumidores que buscam informações sobre esse tema. Do total estudado, 16% afirmam buscar informações sobre RSE. Entre esses, destacam-se consumidores universitários e os das classes A e B.
Esses consumidores premiam empresas mais responsáveis e punem as menos responsáveis. Eles buscam se informar mais por internet e TV, mas a internet não desfruta ainda da mesma credibilidade da TV e dos jornais, estes pouco citados como fonte de informação sobre RSE, mas bem citados no quesito credibilidade.
Os consumidores, de maneira geral, repudiam a propaganda enganosa e o tema que mais conta pontos positivos são as relações de trabalho: 80% apontam o desenvolvimento de alguma ação ligada à dimensão “Direito das Relações de Trabalho” como importante para que uma empresa seja considerada socialmente responsável.
O estudo revela também certa estabilidade no grupo dos “mais conscientes”, que ainda são praticamente 1 em cada 3 consumidores. Este é um grupo mais aguerrido, especialmente na internet, onde busca ativamente informações sobre RSE e sustentabilidade, e ainda é ativo em influenciar os outros. Também tem um poder potencialmente importante para influenciar tanto empresas quanto outros consumidores.
Confira a íntegra desse relatório na seção Estudos e Pesquisas.
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