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Dois Camelos por um mundo melhor

Kyle trocou um clipe por uma caneta em formato de peixe, que foi trocado por maçaneta de porta com um desenho especial, que foi trocado por um fogareiro de camping, e Kyle continuou trocando até que conseguiu uma casa. A ideia parece totalmente impossível para uma era tão movida pela tecnologia e pelo consumo, não é mesmo? Pois é essa mesma tecnologia que fez com que a troca fosse possível: a plataforma Dois Camelos promove um escambo on-line através do Facebook!

Em busca de uma vida mais sustentável baseada no ‘comércio justo’ e ‘consumo consciente’, a ideia é que as pessoas informem o que não usam mais e troquem por alguma outra coisa. O aplicativo, criado pelos curitibanos Rafael Zanoni e Fernanda Cunha de Athayde – esta, idealizadora do projeto – fica responsável por divulgar os objetos, levantar um possível interessado e oferecer estabelecimentos cadastrados como ‘pontos de troca’ para que a negociação seja segura.

Logo no primeiro dia, o Dois Camelos o obteve cadastro de 500 usuários e o projeto não para de crescer: hoje são mais de mil usuários dentro e fora do Brasil e Fernanda e Rafael decidiram criar futuramente uma grande rede de troca mundial!

Essa cooperação pode contribuir para que as pessoas se conscientizem de que trocar em vez de se desfazer das coisas ou consumir é muito mais sustentável!

Agora uma curiosidade: o nome do aplicativo é uma referência à lenda de que no Marrocos é possível trocar dois camelos por uma bela e jovem esposa.

Desenvolvimento Sustentável, o que você tem feito em relação a isso?

Pontas de cigarro levam 10 anos para se decompor. Muitos animais as comem acidentalmente e morrem: o que você tem feito em relação a isso?

Se 10 milhões de funcionários de escritório utilizassem um grampo a menos por dia, seriam economizadas quase 100 toneladas de aço por ano. Você tem usado menos o grampeador?


Assista ao vídeo educacional “Desenvolvimento Sustentável”, desenvolvido pela BBC. Um lindo pedido de socorro à mãe terra.

Por:
Mariana Moraes
Tags:
BBCdesenvolvimento sustentávelplaneta

Interatividade

Carbono em baixa, criatividade em alta

Estudo da ONU revela potencial de desenvolvimento de uma nova economia baseada em intangíveis

O que economia criativa e desenvolvimento sustentável têm a ver? Tudo! Essa é uma das bandeiras levantadas pela ONU no Relatório de Economia Criativa de 2010, publicado pelo PNUD e pela UNCTAD (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento). A publicação defende que criatividade e biodiversidade devem ser integradas, estabelecendo uma relação ganha-ganha.

A ONU parte do pressuposto de que os patrimônios tangíveis e intangíveis de uma comunidade, nação ou região devem ser preservados para as futuras gerações, da mesma forma que os recursos naturais e os ecossistemas o são para assegurar a sobrevivência humana no Planeta.

Sem contar que cultura, criatividade e conhecimentos são os únicos recursos de fato renováveis, pois se multiplicam e renovam com o uso. Capacidade essa que traz grandes oportunidades e também novos desafios para o atual sistema econômico, baseado na gestão de recursos escassos.

Por esse e outros motivos, muitos países já adotaram a economia criativa como estratégia número um de desenvolvimento. No Reino Unido, por exemplo, ela movimentou €654 bilhões em receitas no ano de 2003, crescendo 12% mais rápido que o restante da economia.

Estima-se que a economia criativa contribua com cerca de 2,6% do PIB total da União Europeia, gerando empregos de qualidade para aproximadamente 5 milhões de pessoas nos 27 países membros da UE. 
Além disso, as indústrias criativas continuaram a crescer a despeito da crise de 2008 que levou a um declínio de 2% no PIB global em 2009.

Diverso por natureza

Rico em recursos ambientais e culturais, o Brasil é uma das nações que mais vantagens poderia tirar de uma estratégia de desenvolvimento sustentável baseada na economia criativa.

Na América Latina, é o país que possui o maior saldo positivo no comércio exterior de produtos e serviços ligados à indústria criativa – que abrange áreas tradicionais da cultura (como música, TV, cinema e artes plásticas), mas também artesanato, comunicação, design, arquitetura e itens ligados às novas tecnologias. Em 2008, as exportações brasileiras superaram as importações em US$ 1,74 bilhão, segundo o Relatório de Economia Criativa de 2010, publicado pelo PNUD e pela UNCTAD (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento).

Das 13 nações da região com volumes mais expressivos de fluxo comercial nessa área, além do Brasil, apenas quatro registraram superávit: Peru (US$ 251 milhões), Argentina (US$ 55 milhões) e Bolívia (US$ 4 milhões). Os maiores déficits são de Venezuela (US$ 2,19 bilhões) e México (US$ 1,51 bilhão).

No entanto, esses mapeamentos focam-se apenas na dimensão cultural e econômica. Ainda faltam indicadores que dêem conta da variada gama de intangíveis existentes, o que poderia reorientar os investimentos para atividades capazes de promover o desenvolvimento em diferentes dimensões, não só a econômica, mas também social, ambiental, cultural e simbólica.

Economia criativa em números

Canadá
O setor cultural representa 3,5% do PIB e quase 6% do valor acrescentado bruto (growth in value added – GVA).

Austrália
O crescimento da economia criativa se mantém vigoroso há pelo menos duas décadas, com uma taxa anual de 5,8%.
Em 2007, a economia criativa australiana movimentava $31bilhões de dólares australianos, dando uma contribuição real para a performance da economia do país, empregando 5% da força de trabalho e gerando 7% dos rendimentos nacionais. 

Brasil
Segundo levantamento do Ministério da Cultura referente ao período de 2003-2005, as indústrias criativas são responsáveis pela geração de 1,6 milhões de empregos, representando 5,7% do total de empreendimentos e 4% da força de trabalho.
Outro estudo da Federação das Indústria do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), de 2008, revela que as 12 principais indústrias criativas representam 21% do total de trabalhadores formais do País, contribuindo para 16% do PIB Nacional.

Fonte: Relatório de Economia Criativa de 2010 - PNUD e UNCTAD.