Estudo da ONU revela potencial de desenvolvimento de uma nova economia baseada em intangíveis
O que economia criativa e desenvolvimento sustentável têm a ver? Tudo! Essa é uma das bandeiras levantadas pela ONU no Relatório de Economia Criativa de 2010, publicado pelo PNUD e pela UNCTAD (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento). A publicação defende que criatividade e biodiversidade devem ser integradas, estabelecendo uma relação ganha-ganha.
A ONU parte do pressuposto de que os patrimônios tangíveis e intangíveis de uma comunidade, nação ou região devem ser preservados para as futuras gerações, da mesma forma que os recursos naturais e os ecossistemas o são para assegurar a sobrevivência humana no Planeta.
Sem contar que cultura, criatividade e conhecimentos são os únicos recursos de fato renováveis, pois se multiplicam e renovam com o uso. Capacidade essa que traz grandes oportunidades e também novos desafios para o atual sistema econômico, baseado na gestão de recursos escassos.
Por esse e outros motivos, muitos países já adotaram a economia criativa como estratégia número um de desenvolvimento. No Reino Unido, por exemplo, ela movimentou €654 bilhões em receitas no ano de 2003, crescendo 12% mais rápido que o restante da economia.
Estima-se que a economia criativa contribua com cerca de 2,6% do PIB total da União Europeia, gerando empregos de qualidade para aproximadamente 5 milhões de pessoas nos 27 países membros da UE.
Além disso, as indústrias criativas continuaram a crescer a despeito da crise de 2008 que levou a um declínio de 2% no PIB global em 2009.
Diverso por natureza
Rico em recursos ambientais e culturais, o Brasil é uma das nações que mais vantagens poderia tirar de uma estratégia de desenvolvimento sustentável baseada na economia criativa.
Na América Latina, é o país que possui o maior saldo positivo no comércio exterior de produtos e serviços ligados à indústria criativa – que abrange áreas tradicionais da cultura (como música, TV, cinema e artes plásticas), mas também artesanato, comunicação, design, arquitetura e itens ligados às novas tecnologias. Em 2008, as exportações brasileiras superaram as importações em US$ 1,74 bilhão, segundo o Relatório de Economia Criativa de 2010, publicado pelo PNUD e pela UNCTAD (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento).
Das 13 nações da região com volumes mais expressivos de fluxo comercial nessa área, além do Brasil, apenas quatro registraram superávit: Peru (US$ 251 milhões), Argentina (US$ 55 milhões) e Bolívia (US$ 4 milhões). Os maiores déficits são de Venezuela (US$ 2,19 bilhões) e México (US$ 1,51 bilhão).
No entanto, esses mapeamentos focam-se apenas na dimensão cultural e econômica. Ainda faltam indicadores que dêem conta da variada gama de intangíveis existentes, o que poderia reorientar os investimentos para atividades capazes de promover o desenvolvimento em diferentes dimensões, não só a econômica, mas também social, ambiental, cultural e simbólica.
Economia criativa em números
Canadá
O setor cultural representa 3,5% do PIB e quase 6% do valor acrescentado bruto (growth in value added – GVA).
Austrália
O crescimento da economia criativa se mantém vigoroso há pelo menos duas décadas, com uma taxa anual de 5,8%.
Em 2007, a economia criativa australiana movimentava $31bilhões de dólares australianos, dando uma contribuição real para a performance da economia do país, empregando 5% da força de trabalho e gerando 7% dos rendimentos nacionais.
Brasil
Segundo levantamento do Ministério da Cultura referente ao período de 2003-2005, as indústrias criativas são responsáveis pela geração de 1,6 milhões de empregos, representando 5,7% do total de empreendimentos e 4% da força de trabalho.
Outro estudo da Federação das Indústria do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), de 2008, revela que as 12 principais indústrias criativas representam 21% do total de trabalhadores formais do País, contribuindo para 16% do PIB Nacional.
Fonte: Relatório de Economia Criativa de 2010 - PNUD e UNCTAD.
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