Atuante desde os anos 70, foi só na última década que o terceiro setor iniciou um processo de profissionalização. Estima-se que exista mais de 400 mil ONGs no Brasil, representando 5% do PIB do País. Para explorar todo o seu potencial, esse segmento ainda precisa aprimorar modelos de gestão e estratégias de financiamento.
Esse desafio se traduz na necessidade de atrair novos doadores, tema que será discutido por Lucimara Letelier, diretora da Management Brasil, no International Fundraising Congress, a ser realizado entre 19 e 22 de outubro, na Holanda. Ela será a primeira brasileira em 30 anos a fazer uma palestra nesse que é o principal congresso de captação de recursos para o terceiro setor.
Segundo pesquisa do Instituto Fontes, o aquecimento da economia brasileira e a perspectiva real de sua classificação entre as principais do planeta levaram a uma redução em 50% dos aportes de recursos internacionais no Brasil, que deslocaram seu foco para África e Ásia. Diante desse cenário, a arrecadação de recursos de pessoas físicas (tanto de pequenos quanto de grandes doadores), ação comum nos EUA e Europa se apresenta como uma oportunidade.
O papel da sociedade civil
Entender o comportamento do brasileiro, suas motivações e expectativas ao doar é o primeiro passo para ter sucesso em estratégias de arrecadação com foco em pessoas físicas. Em entrevista concedida a Denyse Godoy, colunista do blog Seu Dinheiro, Lucimara oferece pistas nesse sentido ao citar um amplo levantamento realizado pela consultoria: Management Center Brasil, compilando dados de organizações como a Charities Aid Foundation e Johns Hopkins University. Segundo esse estudo, perto de 60% da população coopera com bens não financeiros, dando roupas ou um pouco do seu tempo para projetos com os quais se identificam. E cerca de 25% fazem doações em dinheiro.
Os motivos que levam cada parcela a cooperar são diferentes. No caso da classe C, existe uma identificação muito grande entre quem ajuda e o alvo da ação, em iniciativas sociais –tem-se a impressão de que se está ajudando um familiar ou vizinho. Na classe B, a culpa tem um papel maior. Já os mais ricos acabam movidos pelo relacionamento com os seus pares e pelo glamour de colaborar.
“De qualquer forma, para todos existe a consciência de que a sociedade civil pode mudar o país e estimular políticas públicas”, afirmou Lucimara Letelier, em entrevista ao blog Seu Dinheiro. Segundo ela, o brasileiro sempre escolhe várias iniciativas para apoiar, entre projetos locais e grandes causas. Em cinco anos, o percentual de quem doa dinheiro deve subir para 35%, prevê.
Para Lucimara, a participação do Brasil na 30ª edição do Congresso da International Fundraising dará visibilidade aos avanços do País em arrecadação de recursos com marketing de causa, captação de pessoa física e investimento social e privado. “Também nos permitirá observar que perspectivas de inovações internacionais são aplicáveis no contexto específico brasileiro”, complementa.
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