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O GIFE quer ouvir sua opinião

No mês de março de 2012 acontece o 7º Congresso GIFE ! Orientados pela construção de uma visão do setor de investimento social para a próxima década, o GIFE pretende reunir mais de mil pessoas durante uma semana e diversas novidades marcarão o encontro. Entre elas, um canal aberto para que indivíduos ajudem a construir o evento, fazendo sugestões de palestrantes, conteúdo, atividades paralelas, ou qualquer questão geral relacionada ao Congresso.

O tema que norteará plenárias, painéis e atividades desenvolvidas durante o 7º Congresso GIFE será Novas Fronteiras do Investimento Social.

Novas fronteiras. Novas perspectivas sobre antigas questões, novos temas para os desafios atuais. O Congresso GIFE se propõe a discutir as fronteiras contemporâneas do investimento social, lidando de maneira franca com suas fragilidades e buscando estratégias inovadoras para enfrentar os problemas atuais. Essa inovação depende de uma interlocução mais ampla com outros setores e organizações, ampliando o escopo do investimento social e a articulação dos investidores. O Congresso GIFE é um convite a essa reflexão e um momento de encontro dos atores que são parte dessa transformação

Clique aqui e envolva-se dando suas ideias para a construção do 7º Congresso GIFE!

Por:
Mariana Moraes
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2012congressoGifeinvestimento social privadoISP

Interatividade

Investimento social no Brasil: panorama atual

O investimento social no Brasil tem se sofisticado e uma mudança na arquitetura da filantropia vem ocorrendo no país. A informação foi divulgada ontem pelo GIFE – Grupo de Institutos, Fundações e Empresas – ao apresentar o Censo GIFE Online. A pesquisa envolveu 102 associados e mostra um panorama do investimento social no Brasil nos anos de 2009 e 2010.

Segundo o Censo, dois bilhões de reais são destinados anualmente ao investimento social pelos associados do Grupo e mais da metade dessas organizações investe de 1 a 10 milhões de reais ao ano.  A educação é a área de maior atuação, sendo que 82% dos associados têm ações relacionadas ao tema. O GIFE revelou que o meio ambiente não está entre as principais áreas de atuação, contudo o investimento no tema tem crescido anualmente, passando de 25%, em 2005, para 46%, em 2007, e 58%, em 2009!

É interessante notar que os investidores revelaram dar preferência a projetos próprios. De 51% a 99% dos associados designaram mais de 50% da verba em programas e ações sociais das próprias organizações. Fora isso, mais um dado revelador é o fato de que os investimentos por recurso incentivado representam apenas 19% do dinheiro investido! Desses recursos, o mais utilizado é o regido pela lei Rouanet, e o menos é o da Lei do Esporte.

 

O GIFE busca tornar futuramente seu Censo em principal banco de dados do investimento social no Brasil, com pesquisa em organizações fora da sua rede.

Conheça mais detalhes da pesquisa visitando o site do Censo GIFE Online.

Por:
Mariana Moraes
Tags:
CensoGifeinvestimento social privadoonlinepanorama

Interatividade

Política cultural, entre o público e o privado

Leonardo Brant*

Cultura é uma das palavras mais complexas do vocabulário, dizia Raymond Williams. Seus significados mais longínquos associam cultura a uma ideia de domínio e poder. O cultivar das terras, da colheita, aquilo que garantia segurança e sustento. Honra e veneração (algo a ser cultuado). Por analogia, estendemos seu significado ao cultivo da mente, carregando o sentido de civilidade (alguém culto). Mais tarde, confunde-se com civilização (a cultura grega).

A antropologia enxerga cultura nos modos de vida e sistemas de valores, contrapondo a ideia de civilização (a cultura indígena). Essa tensão conceitual estende-se aos dias de hoje, com ingredientes que extrapolam os limites territoriais, religiões e ideologias, implodindo a contraposição entre erudito e popular, arte e entretenimento, mass media e comunidades de sentido.

Quero tomar essa tensão como ponto de partida para uma rápida análise sobre o mecenato privado em contraposição com o mecenato público, dos anos 90 aos dias de hoje.

O vácuo deixado pelo “Estado Mínimo” impulsionou empresas, marcas e lideranças da “elite cultural brasileira” a desenvolver um novo mecenato, caracterizado pela renúncia fiscal e pela atuação de empresas, com seus institutos e fundações, em espaços antes reservados apenas ao Estado.

Esse fenômeno concedeu um poder inédito ao setor empresarial. Se antes já dominava o campo imaginário relacionado ao uso (desmedido e irresponsável?) da mídia, agora detinha o aval governamental para atuar (em causa própria?) no campo da formação do indivíduo em sua dimensão simbólica. Geramos uma nova mitologia, baseada na sociedade do espetáculo, no império do capital, na desvalorização do nacional em detrimento de um pseudo-imperialismo global, fragilizando de forma significativa a relação do brasileiro com o Estado?

Muitas empresas valeram-se dos incentivos para valorizar e impulsionar marcas. Inúmeras outras empresas avançaram no desenvolvimento de políticas culturais de interesse público, suprindo a ausência do poder público (substituindo e ameaçando o Estado?). Ora, se as empresas podem fazer política pública, porque o Estado não pode fazer marketing cultural?

Legítimo e soberano, o governo reserva para si o poder de definir o que interessa e o que deve ser descartado na cultura brasileira. Seu crivo representa o protagonismo do Estado, revelado a partir da onipresença da logomarca “Brasil um país de todos”, obrigatória nos projetos culturais incentivados desde 2003. E torna-se um ingrediente fundamental para a definição da política de mecenato, subordinada agora aos atributos da marca Brasil (não necessariamente pública).

O balaio do financiamento cultural é rico a variado. Há o investimento em infraestrutura, pesquisa, programação de qualidade, processos educativos, relações e dinâmicas perenes e bem estruturadas nas comunidades, economia solidária e criativa. Mas há também a comunicação de marca, o evento, a promoção, o entretenimento, a publicidade. O simulacro confunde-se com o real, a cultura com a barbárie.

A privatização do mecenato público é o outro lado da moeda do mecenato privado de interesse público, que precisa ser reinventado. Precisa dialogar melhor com todas as esferas da sociedade, constituir-se em rede, promover cidadania, reforçar os direitos culturais e a liberdade de expressão, resistir às constantes ameaças dos princípios democráticos. Precisa fazer sentido ao negócio empresarial, tornando-o sustentável não apenas em relação ao planeta, mas sobretudo em relação aos seres que o habitam.

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*Leonardo Brant integra a Rede de Repensadores. É consultor em investimento cultural privado, presidente da Brant Associados. Autor do livro O Poder da Cultura (ed.Peirópolis), edita o site Cultura e Mercado. Coordena o 6º módulo do curso Ferramentas de Gestão do GIFE, com o tema “Gestão de Política Cultural”.