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Propósito, o quinto “P” de marketing

Aos tradicionais pilares do mix de marketing (produto, preço, praça e promoção) soma-se um novo elemento: propósito. Essa ainda não é exatamente a configuração da estratégia das empresas, mas, a julgar pela rápida mudança de comportamento dos consumidores, em breve será. Segundo a pesquisa Edelman Good Purpose 2010, o peso do propósito social como fator de decisão entre duas marcas de preço e qualidade equivalentes já supera atributos como design, inovação e lealdade à marca (veja gráfico abaixo).

Propósito social, fator-chave para decisão de compra

Fonte: Edelman 2010 goodpurpose® Study

De acordo com o estudo, 86% dos consumidores, em âmbito mundial, acreditam que o interesse do negócio das empresas deve ser proporcional ao interesse da sociedade. No Brasil, 80% dos consumidores afirmaram que promoveriam marcas que tenham uma causa a fundamentar suas ações. Esse número, quando comparado à média global de 61%, demonstra o interesse e a exigência do brasileiro diante da atuação socioambientalmente relevante por parte das marcas.

Outra constatação é que os consumidores dos mercados emergentes (Índia, China, México e Brasil) estão mais inclinados a promover marcas que apóiam causas, superando os países desenvolvidos. Segundo a pesquisa da Edelman, 8 em cada 10 consumidores na Índia, China, México e Brasil esperam que as marcas doem um percentual de seus lucros a uma causa. 

Consumidor-cidadão

O maior engajamento dos consumidores é um dos fenômenos percebidos pelo estudo, à medida que os fatores socioambientais ganham cada vez mais relevância nas decisões de compra. Assim, ganha força a figura do consumidor-cidadão, já definido como aquele que vota com o bolso, uma vez que seus valores e posições ideológicas se expressam no seu comportamento de consumo. Segundo o estudo da Edelman, eles querem trabalhar ao lado das empresas e marcas em busca das melhores ideias para desafios globais.

De acordo com esse levantamento global, 71% acreditam que marcas e consumidores poderiam fazer mais em apoio a boas causas, trabalhando juntos. Além disso, 63% querem que as marcas tornem mais fácil para eles fazer a diferença de forma positiva.

Grande parte dos consumidores globais também já exige o alinhamento da atuação socioambiental com o corebusiness. Mais da metade (64%) dos entrevistados pela Edelman acredita não ser mais suficiente para as empresas apenas doar dinheiro, elas devem integrar as causas ao dia-a-dia do seu negócio.

No Brasil, a Natura foi considerada pelos entrevistados do estudo Edelman Good Purpose 2010 como uma das empresas mais engajadas do Brasil ao lado de marcas como Ypê, Nestlé e Omo.

Confira a íntegra desse relatório na seção Estudos e Pesquisas

Um bom exemplo de comunicação de causas

Elas são responsáveis pela educação dos filhos, investem grande parte do seu rendimento na família.  Estando saudáveis, contribuem com a saúde de toda a sua comunidade a partir da redução dos índices de desnutrição e de doenças como HIV. Por esses e outros motivos, investir na educação, saúde e segurança daquelas que serão as mães das futuras gerações traz um retorno mais alto para o desenvolvimento local do que qualquer outra forma de investimento.
 
Essa questão ganhou destaque a partir de 2009, quando, em um dos painéis do Fórum Econômico Mundial, cunhou-se o termo efeito feminino: o resultado para a sociedade do investimento nas meninas, desde a infância até a idade adulta.
 
Segundo dados da Fundação Nike, a economia de um país cresce 3% a cada 10% de meninas que ele coloca no ensino básico. E assim que passa a ter rendimentos próprios, a mulher gasta 90% de seu dinheiro com a família – ao contrário dos homens, que usam para isso 35%. Com sete anos a mais de educação, uma garota casará quatro anos mais tarde e terá dois filhos a menos.
 
Além de anti-ético, manter essas meninas na exclusão é anti-econômico. Estima-se que o Brasil perca em média U$17,3 bilhões por ano, como resultado do desemprego entre as mulheres. A Índia, por sua vez, sacrifica U$100 bilhões devido à gravidez na adolescência. Enquanto que o Quênia, poderia ter um incremento de U$27 bilhões em geração de renda se todas as suas meninas completassem o ensino secundário.
 
Com o intuito de convidar as pessoas a refletir e agir em relação a essa realidade, criou-se o a movimento The Girl Effect. Ele conta com uma campanha de comunicação que destaca a capacidade das mulheres agirem como agentes de transformação social nas comunidades onde vivem.
 
Confira ao vídeo da campanha: