O Propmark divulgou na ultima segunda-feira (4) a matéria “Bombril cria instituto e se reposiciona”. Uma chamada foi divulgada na capa do Jornal, com os dizeres: ‘Marca de produtos de limpeza reposiciona marketing e investimentos com escola de cursos para empregadas domésticas e patrocínio ao futebol feminino’.
A reportagem conta sobre o lançamento da Casa Bombril, um dos braços do Instituto Roberto Sampaio Ferreira, que aconteceu na última quarta feira (30) e o reposicionamento da empresa, que busca agora rejuvenescer a marca e estruturar sua atenção social em diferentes comunidades. A Casa, investimento de R$5 milhões, vai oferecer cursos gratuitos às secretárias do lar, com apoio do SENAC.
Confira um trecho da matéria:
FILOSOFIA
Durante o evento de lançamento da Casa Bombril, a idealizadora do instituto, Alice Ferreira, esposa do herdeiro do grupo, Ronaldo Ferreira, afirmou que há anos a companhia realizava trabalhos sociais focando a mulher, porém de maneira pouco organizada. “Montamos uma equipe de responsabilidade social dentro da Bombril e temos consultores externos na área”. Uma das profissionais de mercado à frente desse reposicionamento institucional é Margareth Goldenberg, que há um ano assumiu a diretoria de responsabilidade social da Repense. Desde então, ela está envolvida com projetos de 18 empresas, sendo que a Casa Bombril e o instituto têm sido desenvolvidos desde março de 2010.
De acordo com um levantamento da instituição norte-americana Cone, as mães representam o grupo de consumidores conscientes mais ativo nos Estados Unidos. Entre as entrevistadas, 95% reconhecem o marketing relacionado a causas e 41% compraram algum produto que faz uso dessa estratégia.
Esse é um sinal claro de que as questões éticas, sociais e ambientais já começam a integrar o conjunto de valores desse público, influenciando o seu comportamento no médio e longo-prazo.
Cabe as empresas apresentarem alternativas que atendam a esses anseios, seja no posicionamento de suas marcas ou no desenvolvimento de produtos sócio-ambientalmente preferíveis. Do contrário, correm o risco de perder a confiança de um público significativo, uma vez que 80% das decisões de compras domésticas são tomadas pelas mães.
Segundo o estudo, elas apresentam um perfil multi-tarefa: trabalham, cuidam dos filhos e da saúde da família, desempenhando duplas e até triplas jornadas. Essa característica se reflete na sua decisão de compra, pois passam a preferir produtos que atendam uma gama cada vez maior de necessidades e preocupações, entre as quais questões ambientais, sociais e relacionadas à saúde.
E uma vez que as mães demonstram tais preocupações não causa surpresa que seus filhos manifestem comportamento semelhante. Essa é outra constatação do estudo: 73% dos jovens de 18 a 24 anos estão dispostos a comprar um produto que eles nunca ouviram falar antes se ele apoiar uma causa. Além disso, 87% consideram o compromisso das empresas com uma causa ao decidir onde trabalhar.
Essa geração está entrando para o mercado com um forte senso de responsabilidade social e ambiental. Sendo assim, o alinhamento da marca a alguma causa também se mostra interessante para a atração e retenção de novos talentos.
Elas são responsáveis pela educação dos filhos, investem grande parte do seu rendimento na família. Estando saudáveis, contribuem com a saúde de toda a sua comunidade a partir da redução dos índices de desnutrição e de doenças como HIV. Por esses e outros motivos, investir na educação, saúde e segurança daquelas que serão as mães das futuras gerações traz um retorno mais alto para o desenvolvimento local do que qualquer outra forma de investimento.
Essa questão ganhou destaque a partir de 2009, quando, em um dos painéis do Fórum Econômico Mundial, cunhou-se o termo efeito feminino: o resultado para a sociedade do investimento nas meninas, desde a infância até a idade adulta.
Segundo dados da Fundação Nike, a economia de um país cresce 3% a cada 10% de meninas que ele coloca no ensino básico. E assim que passa a ter rendimentos próprios, a mulher gasta 90% de seu dinheiro com a família – ao contrário dos homens, que usam para isso 35%. Com sete anos a mais de educação, uma garota casará quatro anos mais tarde e terá dois filhos a menos.
Além de anti-ético, manter essas meninas na exclusão é anti-econômico. Estima-se que o Brasil perca em média U$17,3 bilhões por ano, como resultado do desemprego entre as mulheres. A Índia, por sua vez, sacrifica U$100 bilhões devido à gravidez na adolescência. Enquanto que o Quênia, poderia ter um incremento de U$27 bilhões em geração de renda se todas as suas meninas completassem o ensino secundário.
Com o intuito de convidar as pessoas a refletir e agir em relação a essa realidade, criou-se o a movimento The Girl Effect. Ele conta com uma campanha de comunicação que destaca a capacidade das mulheres agirem como agentes de transformação social nas comunidades onde vivem.
Interatividade